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Segurança da informação no setor automotivo: riscos, exigências das montadoras e o impacto nos negócios

A digitalização transformou profundamente o setor automotivo. Hoje, concessionárias e montadoras operam com dezenas de sistemas integrados, plataformas financeiras, CRMs, ERPs e bases de dados compartilhadas com parceiros.

Esse avanço trouxe eficiência, escala e velocidade. Mas também trouxe um risco que, por muito tempo, foi subestimado: a segurança da informação.

O que antes era visto como um tema técnico passou a afetar diretamente a continuidade da operação, o relacionamento com montadoras e a confiança de clientes e parceiros. Em um setor cada vez mais regulado e exigente, dados se tornaram um ativo crítico, e, quando mal geridos, um passivo silencioso.

Neste artigo, a Data Guide analisa por que segurança da informação se tornou estratégica para montadoras e concessionárias, quais dados sensíveis estão envolvidos nesse contexto e como programas de qualidade, como o StarClass, da Mercedes-Benz, reforçam a necessidade de maturidade em governança e controle.

A transformação digital das concessionárias e o novo perfil de risco

Concessionárias deixaram de ser apenas pontos físicos de venda de veículos. Hoje, elas são operações altamente dependentes de tecnologia para funcionar.

Venda, faturamento, financiamento, análise de crédito, pós-venda, garantia, relacionamento com clientes e integração com a montadora passam, necessariamente, por sistemas digitais. Quando esses sistemas param ou quando dados são comprometidos, a operação simplesmente trava.

O risco, porém, não está apenas em ataques cibernéticos sofisticados. Na prática, grande parte dos problemas nasce de falhas básicas de governança: acessos excessivos, falta de controle sobre dados, ausência de processos claros e dependência excessiva de pessoas específicas.

Quais dados sensíveis circulam diariamente em uma concessionária

Muitas concessionárias não se enxergam como empresas que lidam com dados sensíveis. Essa percepção costuma ser um erro.

Na rotina operacional, passam diariamente por seus sistemas:

  • dados pessoais de clientes, como nome, CPF, endereço, telefone e e-mail;
  • documentos utilizados para análise de crédito e financiamento;
  • informações financeiras e bancárias;
  • contratos de compra, financiamento, seguro e garantia;
  • histórico de compras e negociações;
  • registros de manutenção e uso do veículo;
  • dados de colaboradores e parceiros.

Essas informações não ficam em um único lugar. Elas circulam entre sistemas internos, plataformas da montadora, bancos, seguradoras e parceiros externos. Quanto maior a integração, maior a complexidade de controle.

Quando não existe clareza sobre onde esses dados estão, quem acessa e como esses acessos são gerenciados, o risco deixa de ser abstrato.

Segurança da informação como continuidade operacional

No setor automotivo, a segurança da informação está diretamente ligada à continuidade do negócio.

Quando sistemas ficam indisponíveis, seja por falha técnica, erro humano ou incidente de segurança, o impacto é imediato. Vendas são interrompidas, faturamento atrasa, clientes ficam sem resposta e equipes ficam paradas.

Em muitos casos, poucos dias de operação comprometida geram prejuízos maiores do que anos de economia por não investir em governança e proteção da informação.

Esse impacto raramente aparece apenas no financeiro. Ele afeta a reputação, o relacionamento com a montadora e a percepção de maturidade da concessionária.

O impacto silencioso da falta de governança nas vendas e parcerias

Nem todo problema de segurança aparece como um incidente visível. Em muitos casos, ele surge em momentos estratégicos.

Auditorias da montadora, processos de certificação, revisões contratuais e avaliações internas de qualidade costumam expor fragilidades que antes passavam despercebidas.

Quando a concessionária não consegue responder perguntas simples, como onde os dados dos clientes estão armazenados, quem tem acesso a eles ou como esses acessos são controlados, a confiança se fragiliza antes mesmo de qualquer problema técnico.

Nesse cenário, o risco percebido cresce e decisões estratégicas passam a ser adiadas ou revistas.

A responsabilidade compartilhada entre montadoras e concessionárias

Montadoras entenderam que sua marca é representada por toda a rede. Um incidente grave em uma concessionária pode gerar impacto direto na imagem da montadora, mesmo que o problema não tenha ocorrido na fábrica.

Por isso, crescem as exigências relacionadas a:

  • qualidade operacional;
  • governança de processos;
  • conformidade com normas internas e regulatórias;
  • controle e rastreabilidade da informação.

Segurança da informação passou a fazer parte da lógica de qualidade e excelência exigida pelas marcas.

 Programa StarClass e a lógica de qualidade da Mercedes-Benz

Um exemplo concreto de como qualidade operacional e governança caminham juntas no setor automotivo é o Programa StarClass, da Mercedes-Benz. O StarClass é um modelo estruturado de certificação e avaliação contínua das concessionárias da marca, criado para assegurar padrões elevados e consistentes em toda a rede. 

Diferente de avaliações pontuais, o programa opera como um sistema permanente de acompanhamento da maturidade da operação.

A certificação analisa múltiplas dimensões do negócio. Não se limita a resultados comerciais ou volume de vendas. Avalia eficiência operacional, organização da gestão, padronização de processos, aderência às diretrizes da montadora e capacidade da concessionária de sustentar esses padrões ao longo do tempo. Para atender aos critérios do programa, a operação precisa ser previsível, documentada e passível de auditoria.

Embora o StarClass não seja apresentado formalmente como um programa de segurança da informação, ele exige exatamente os fundamentos que sustentam uma boa governança de dados. 

Processos precisam estar claros, responsabilidades bem definidas, controles consistentes e evidências disponíveis. Isso inclui, de forma direta, a maneira como dados de clientes, informações comerciais, contratos e registros operacionais são tratados no dia a dia.

Na prática, uma concessionária que não possui clareza sobre onde seus dados estão armazenados, quem tem acesso a eles e como esses acessos são controlados dificilmente consegue demonstrar maturidade operacional em auditorias e avaliações da montadora. A ausência de processos estruturados aumenta o risco de falhas, inconsistências e decisões baseadas em informações incompletas, o que compromete tanto a qualidade percebida quanto a confiança na operação.

A ausência de processos estruturados aumenta o risco de falhas, inconsistências e decisões baseadas em informações incompletas, o que compromete tanto a qualidade percebida quanto a confiança na operação.

O risco de não atender às exigências do StarClass vai além da perda de um selo ou reconhecimento. 

Concessionárias que não sustentam os padrões exigidos podem perder incentivos, bonificações e relevância dentro da própria rede, além de ficarem mais expostas a questionamentos em auditorias, revisões contratuais e processos de certificação. 

O erro de tratar segurança da informação como ação pontual

Outro ponto crítico no setor automotivo é tratar a segurança da informação como algo pontual. Um projeto isolado, uma ferramenta específica ou uma resposta reativa a um problema.

Na prática, a segurança da informação é um processo contínuo. Sistemas mudam, integrações aumentam, equipes se renovam e exigências das montadoras evoluem.

Sem governança contínua, qualquer estrutura se torna rapidamente defasada.

Como a Data Guide atua no setor automotivo

Na Data Guide, segurança da informação e proteção de dados são tratadas como decisões estratégicas de negócio.

O trabalho com montadoras e concessionárias faz parte de uma leitura prática da operação, considerando sistemas reais, fluxos de dados e exigências contratuais das marcas.

A atuação envolve:

  • mapeamento de dados com foco em risco real;
  • definição clara de responsabilidades;
  • apoio em processos de auditoria e certificação;
  • suporte a áreas comerciais e operacionais;
  • construção de governança proporcional ao porte e à maturidade da empresa.

O objetivo é criar clareza, reduzir risco e permitir que a concessionária demonstre controle sempre que necessário, sem burocratizar a operação.

Segurança da informação como vantagem competitiva

À medida que montadoras elevam seus padrões de qualidade, concessionárias que tratam segurança da informação de forma madura ganham vantagem competitiva.

Elas enfrentam auditorias com mais tranquilidade, mantêm relações mais sólidas com a montadora e reduzem riscos operacionais que podem comprometer o negócio no médio e longo prazo.

Segurança da informação deixa de ser apenas proteção. Ela passa a ser parte da estratégia de sustentabilidade do negócio.

Conclusão: dados, governança e o futuro do setor automotivo

No setor automotivo, a segurança da informação deixou de ser invisível. Ela passou a impactar diretamente a continuidade da operação, a confiança do mercado e o relacionamento com montadoras.

Programas como o StarClass mostram que excelência está ligada à capacidade de operar com processos confiáveis, previsíveis e bem governados.

Para concessionárias, a pergunta já não é se esse tema vai aparecer, mas quando e em que contexto. Quem se antecipa constrói vantagem. Quem ignora assume riscos difíceis de controlar.

Próximo passo

Se sua concessionária ou operação automotiva já enfrenta exigências relacionadas à segurança da informação, qualidade ou governança de dados, a Data Guide pode apoiar a estruturação desse tema de forma prática e alinhada ao seu negócio.

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